O que é sextorsão e como funciona o crime de chantagem com imagens íntimas

69% das vítimas de sextorsão são mulheres, segundo levantamento da SaferNet Brasil. O dado ajuda a dimensionar a gravidade desse tipo de crime no ambiente digital, especialmente no contexto da violência contra mulheres.

Os casos de chantagem com imagens íntimas são cada vez mais comuns e impressionam pelos números. Em maio de 2026, por exemplo, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu cinco pessoas acusadas de fazerem parte de um grupo especializado em sextorsão. A quadrilha movimentou quase R$ 4 milhões em apenas dois meses.

Sextorsão é uma violência grave e pode levar a consequências extremas. O objetivo do agressor é fragilizar a vítima, ameaçando divulgar imagens íntimas caso ela se recuse a fazer algo, como enviar mais imagens ou dinheiro, mas também pode ocorrer por humilhação ou vingança.

Como funciona o crime de chantagem com imagens íntimas?

A chantagem com imagens íntimas, ou sextorsão, é uma forma de pressionar e ameaçar outra pessoa para obter algum tipo de vantagem, usando fotos ou vídeos íntimos como instrumento de ameaça. Esse tipo de violência pode ser praticado por desconhecidos, mas também por parceiros atuais ou ex-parceiros.

No caso de agressores desconhecidos, a abordagem costuma começar nas redes sociais, nas plataformas de relacionamento e nos aplicativos de mensagens. Geralmente, existe uma construção gradual de confiança até que o criminoso obtenha essas imagens. A partir daí, a dinâmica muda: começam as ameaças de divulgação caso a vítima não envie mais material ou dinheiro.

Já nos casos em que existe vínculo afetivo, o material íntimo normalmente é obtido durante o relacionamento. Com o fim da relação ou em situações de conflito, o conteúdo passa a ser usado como forma de controle, intimidação ou retaliação. A vítima sofre pressão emocional contínua, ameaças e humilhações.

Nas duas situações, o funcionamento é semelhante: aproximação, obtenção de conteúdo íntimo e uso desse material como instrumento de ameaça.

Impactos da sextorsão e por que é difícil denunciar

A sensação de viver sob constante ameaça é devastadora. A ansiedade, o medo e a insegurança fazem mulheres mudarem suas rotinas, evitarem as redes sociais e até contato com pessoas próximas.

Mas esse não é o único problema – as consequências da sextorsão podem durar para sempre. Mesmo quando a chantagem com imagens íntimas cessa, o risco de vazamento dificulta a remoção completa e prolonga a exposição ao longo do tempo.

E nem sempre é fácil denunciar. Fatores emocionais e sociais, como vergonha, medo de julgamento e de que o conteúdo se torne público fazem com que as vítimas permaneçam em silêncio. Muitas vezes, o agressor se aproveita justamente dessa insegurança e do isolamento para manter a coerção.

Como se proteger?

É praticamente impossível eliminar totalmente os riscos de ser vítima desse crime, mas alguns cuidados podem ajudar a prevenir esse tipo de violência.

  • Desconfie de perfis desconhecidos ou abordagens rápidas nas redes sociais e aplicativos de mensagens.
  • Evite compartilhar imagens íntimas, principalmente em interações recentes pela internet.
  • Tenha cuidado com pedidos insistentes de fotos, vídeos ou chamadas íntimas.
  • Ative a autenticação em duas etapas nas redes sociais e aplicativos para aumentar a segurança das contas.
  • Fique atenta ao que compartilha na internet, principalmente em páginas abertas (públicas).

Lembre-se: criminosos podem usar perfis falsos, imagens manipuladas e gravações sem consentimento.

O que fazer se for vítima de sextorsão

Agir rapidamente e preservar as evidências pode ajudar na denúncia e na investigação.

  • Não ceda às ameaças nem envie mais imagens, vídeos ou dinheiro.
  • Guarde provas, como conversas, perfis, números de telefone, comprovantes e registros das ameaças.
  • Evite apagar imediatamente as mensagens trocadas com o agressor, já que elas podem ajudar na investigação.
  • Busque apoio em serviços especializados, como a ONG Marias da Internet, que oferece orientação para vítimas de violência digital.
  • Bloqueie os perfis e números usados pelo agressor após registrar as evidências.
  • Denuncie! A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) presta serviços como orientação e encaminhamento de denúncias às autoridades. Em caso de emergência, ligue para a polícia (disque 190).

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